Pular para o conteúdo. Ir para a navegação
Seções

Simples Consultoria

"Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece."
Aldous Huxley

A arte de enxugar aplicações para PDAs

Ao criar aplicações para PDAs, é comum o desenvolvedor ceder à tentação de transportar todas as funcionalidades da versão desktop para a telinha. O resultado pode ser um sistema difícil de usar e, talvez, inútil.

Por André Nogueira

Uma das maiores causas da mortalidade dos ursos panda gigantes recém-nascidos é o excesso de carinho. A mãe panda, com seus mais de 160 kg, na euforia de amar e proteger seu filhote (que pesa pouco mais de 100 gramas), esquece a grande diferença de tamanho e sufoca sua cria com um forte abraço.

Triste e cruel, esse é um dos motivos do risco de extinção que esta espécie enfrenta. Coisas que aprendemos ao assistir o National Geographic Channel.

No mundo digital, algo parecido com a maldição dos pandas acontece com os softwares para dispositivos portáteis.

Na ânsia de disponibilizar para o mercado o mais completo e evoluído software da categoria, empresas desenvolvem softwares até mais complexos que os programas desenvolvidos para desktops.

Nos últimos meses analisei diversos softwares para Palm voltados para a área médica. Recurso é o que não falta em cada um deles. Tudo à disposição, para levar e usar onde bem entender.

Em vários deles, por exemplo, você pode acompanhar toda a vida de um paciente, desde as primeiras consultas, agendar uma consulta nova, ver imagens de exames, históricos de visitas, remédios tomados. Pode também ler a bula desse remédio, pesquisar a dosagem adequada e efeitos colaterais, ver outros pacientes que tomaram o mesmo remédio, mandar e-mail pra eles, saber quem são seus pais, seus filhos...

Muito bonito. Só que esqueceram de levar em conta um detalhe. A tela desses aparelhos tem em média 5x5 centímetros, onde são mostrados 320x320 pixels. Não precisa ser nenhum guru da usabilidade para perceber que todas essas informações vão ficar meio apertadas ali, se é que vão caber. São tantas informações disponíveis na tela, que realizar as funções mais básicas é um grande desafio.

Alem disso, o médico provavelmente não precisa de todo esse volume de informação guardada no bolso. O Palm não precisa nem deve substituir o desktop da clínica, muito menos a secretária. Eles devem jogar juntos, integrados, para disponibilizar as ferramentas e informações realmente essenciais ao usuário, no volume e local adequado, construindo a solução ideal.

Não se esqueça da lição dos pandas. Tudo tem sua dose certa, até as coisas boas. Funcionalidades demais podem resultar em usabilidade de menos.